«Os alimentos que os europeus consomem são efectivamente seguros»

A ANIPLA está a implementar um novo modelo de comunicação com toda a cadeia de valor agroalimentar e o grande público para que a proteção das plantas seja mais compreendida e a agricultura entendida como uma atividade fulcral para as nossas vidas. Entrevista com

 

 

António Lopes Dias, Diretor Executivo da ANIPLA- Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas

 

Segundo a DGAV, há apenas 37 novas substâncias ativas de produtos fitofarmacêuticos em apreciação na UE e 77 s.a. candidatas a substituição. Este panorama preocupa a ANIPLA?

 

Preocupa a Anipla e todo o sector, a começar pelos produtores. O Regulamento Europeu para autorização de fitofármacos é muito imprevisível e demasiado centrado no perigo, em vez de se focalizar no risco associado à utilização dos produtos. Para além disso, as decisões têm sido cada vez mais políticas e menos científicas. Ora, um ambiente regulatório com estas características, tem como consequência que cada vez menos as empresas que investigam novas substâncias procurem registá-las na UE.  Ao contrário do que sucedeu com a anterior Directiva, que entrou em vigor nos anos 90, hoje há mais substâncias em risco de exclusão do que submetidas para autorização. E isso é preocupante. Muitas finalidades podem ficar mal cobertas ou mesmo não cobertas de todo.

 

De que forma vê o reforço de ligações entre ANIPLA (indústria), grande Distribuição e Consumidor final?

 

A indústria é parte de um todo. Por isso, quando dizemos “para quem pensa a agricultura” estamos a integrar toda a cadeia de valor. O mais recente exemplo desta forma de estar foram os Simpósios Anipla realizados no passado mês de Março. Sair da “bolha” é fundamental para sermos mais compreendidos e, também, para que os outros elementos que integram o sector se sintam envolvidos e sintam a necessidade de se envolverem.

 

A ANIPLA lançou recentemente a campanha “Considere os Factos”. Qual é o público-alvo a que se destina e a principal mensagem que visa transmitir?

 

Esta campanha dirige-se a um segmento do chamado grande público. Um segmento maioritariamente urbano, que usa a informação digital, que gosta de estar informado e, consequentemente, está sensível a conhecer melhor e a discutir os assuntos sem preconceitos. Procuramos em primeiro lugar chamar a atenção das pessoas para a existência de uma actividade básica e fulcral para as nossas vidas, que é a agricultura. Em complemento focamos a necessidade de recurso à ciência e à tecnologia para que a actividade agrícola possa cumprir a sua missão. Convidamos as pessoas para o debate e esse é o ponto que mais valorizo nesta campanha.

 

Um estudo da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, relativo a 2015, prova que entre 84.341 amostras de alimentos analisados na UE 53.3% estão livres de quaisquer resíduos quantificáveis de pesticidas e 98,3% estão dentro dos limites permitidos. É sinal de que os agricultores estão a adotar as Boas Práticas Agrícolas?

 

Sem dúvida e os agricultores europeus mais concretamente. Os alimentos que os cidadãos europeus consomem são efectivamente seguros e a comprovar isto está o facto de os resultados destas análises terem sido inegavelmente consistentes ao longo dos anos. Os agricultores são verdadeiros profissionais e, como tal, agem de forma responsável e sustentável.

 

O que podem os agricultores aprender na Smart Farm, quinta modelo instalada pela ANIPLA na Companhia das Lezírias?

 

Algumas das boas práticas que visam tornar a sua actividade ainda mais sustentável. Desde o armazenamento correcto dos produtos fitofarmacêuticos, poderão ser observadas tecnologias e equipamentos que aumentam a segurança da sua utilização. Estamos agora a dar mais visibilidade às técnicas de Produção Integrada que a Companhia já adopta e vamos dar corpo a um projecto de biodiversidade, no qual os polinizadores são os actores principais.

 

O projeto TOPPS visa sensibilizar os agricultores para reduzir a poluição da água por produtos fitofarmacêuticos. Quais as ações previstas em 2017?

 

Vamos continuar a formar técnicos e formadores até chegar ao objectivo estabelecido, que é formar 500 profissionais nesta primeira fase. Temos ainda outro objectivo muito importante que esperamos se concretize em breve que é a integração dos conteúdos do Topps nos programas de formação ao abrigo da Lei 26.

 

A nível de aplicação de produtos fitofarmacêuticos por hectare de superfície agrícola útil (SAU) Portugal está abaixo da média da UE?

 

O principal problema da estatística é que mostra muita coisa,  mas não explica o essencial. Quando se analisam quantidades de substância activa por hectare é preciso ter em conta a palete de culturas que cada país tem, o clima e a intensificação cultural, factores que, por sua vez influenciam o tipo e as quantidades utilizadas. Por exemplo, Portugal por vezes fica “mal na fotografia” pelo efeito enxofre, que até é um produto autorizado em modo biológico. Portanto, os números só por si dizem pouco, se não formos ao encontro dos aspectos qualitativos.

 

A ANIPLA defende a avaliação dos produtos fitofarmacêuticos pelo “risco” e não pelo “perigo”. Na prática, o que as distingue?

 

Realmente é um conceito por vezes não muito compreendido, mesmo por alguns profissionais. Daí termos publicado algumas coisas no sentido de tentar esclarecer a diferença entre perigo e risco. Costumo utilizar um exemplo que me parece bastante elucidativo: atravessar uma rua. É uma acção que encerra um perigo. O perigo de ser atropelado. Não vamos proibir as pessoas de atravessar ruas. O que foi feito? Introduzir medidas que baixam a exposição a esse perigo, consequentemente, baixam o risco de ser atropelado. Existem semáforos, passadeiras. Os produtos fitofarmacêuticos encerram perigos, que lhes são intrínsecos, mas isso não significa que não possam ser usados, desde que sejam adoptadas medidas de redução de risco, como por exemplo, o uso de equipamentos de protecção individual. No rótulo estão indicadas todas as medidas para que se use o produto com o menor nível de exposição ao seu perigo potencial. O que nos preocupa é que o regulamento europeu é muito baseado na avaliação do perigo e não tem em conta as medidas de redução do risco.

 

Perspetiva-se uma PAC pós-2020 mais “verde” e com mais restrições aos inputs aplicados pelos agricultores. Será que o futuro da indústria de proteção das plantas vai passar por agentes de luta biológica/biocontrolo?

 

A defesa do ambiente já não é um assunto do futuro, mas sim do presente. Pela nossa parte trabalhamos todos os dias nesse sentido.  A questão dos fitofármacos e a protecção ambiental é uma vez mais, a questão do perigo e do risco. Não é o tipo de métodos que determina a defesa do ambiente, mas a forma como são usados.

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