Discurso Direto - Cereais do Alentejo são cereais do futuro - Entrevista a Fernando Carpinteiro Albino

Fernando Carpinteiro Albino, figura incontornável da agropecuária extensiva e presidente do Clube Português de Cereais de Qualidade, aposta na nova marca “Cereais do Alentejo” como alavanca da rentabilidade da produção cerealífera em Portugal e pede ao Governo que defenda os cereais nas negociações da PAC pós-2020.

 

 

 

 

A Carnalentejana é um dos seus projetos mais emblemáticos. Que balanço faz sobre o desempenho da marca e que ambições tem para futuro?

 

A Carnalentejana é uma marca forte e um projeto da produção agrupada com 27 anos de existência. Veio provar que a produção deve investir em produtos certificados, com marca própria, apostar na qualidade e na inovação com toda a transparência. Este tem sido o diapasão da Carnalentejana, que para continuar a ter sucesso deve manter este espírito de inovação, renovando produtos e apostando em novos mercados, sempre com transparência. O volume médio de vendas da Carnalentejana é de 9 milhões de euros (5.000 animais abatidos/ano para produção de carne).

 

Há espaço para entrada de novos produtores na marca Carnalentejana?

 

A Carnalentejana destina-se a um nicho de mercado, mas ainda há espaço para crescer e aumentar o efetivo bovino de raça pura Alentejana, seja nas explorações agropecuárias já associadas da marca ou através da entrada de novos associados. A reforma da Política Agrícola Comum pós-2020 pode contribuir bastante para apoiar as raças autóctones nacionais, é imperioso que o Governo português defenda a pecuária extensiva nas negociações da PAC, pois a criação de gado em regime extensivo contribui para fixar as populações no interior do país, para combater a desertificação e os incêndios e além disso sequestra carbono da atmosfera através das pastagens e do sistema agrosilvopastoril do montado.

 

Preocupa-o o facto de que a produção de cereais de Outono-Inverno atingiu este ano a área mais baixa (109.000 hectares) dos últimos 100 anos em Portugal. Como é que o país dá a volta a esta realidade?

 

Portugal produz apenas 5% dos cereais que consome em pão e massas alimentícias, é algo assustador! Temos que lutar para contrariar esta realidade. A produção de cereais e a pecuária extensiva no Alentejo andam de mão dada, os cereais além de nos alimentar, também garantem alimento (palhas) aos animais no Verão, evitando importações de rações. O país tem a obrigação de manter esta agricultura sustentável. Tal como no projeto Carnalentejana, também no setor dos cereais temos de nos organizar, criar marcas para valorizar o nosso produto, como a nova marca “Cereais do Alentejo”.

 

Quais as ambições da marca “Cereais do Alentejo” a que está diretamente ligado?

 

“Cereais do Alentejo” é uma marca de cereais (trigo, cevada, aveia, triticale) não processados e 100% nacional, criada pela ANPOC - Associação Nacional de Produtores de Cereais e registada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Esta marca visa valorizar os cereais portugueses para que a sua produção seja rentável. A nossa ambição é contribuir para diminuir as importações de cereais em Portugal. Julgo que pode ser uma mola importante para impulsionar a união dos produtores de cereais e aumentar a comercialização do Pão de Cereais do Alentejo, que já está à venda nos supermercados Continente, Auchan, grupo Nabeiro e nas padarias Gleba em Lisboa, e de outros alimentos à base de cereais nacionais.

 

Fernando Carpinteiro Albino - Cereais do Alentejo

Fernando Carpinteiro Albino

 


«A nossa ambição é contribuir para diminuir as importações de cereais em Portugal»


 

Quem pode aderir à marca “Cereais do Alentejo”?

 

Pode aderir qualquer produtor de cereais desde que seja associado de um agrupamento de produtores de cereais, que são os “braços armados” da ANPOC para fazer cereais com todos os requisitos de transparência e qualidade. Os “Cereais do Alentejo” são certificados em todo o seu roteiro de produção, transformação e venda, garantindo ao consumidor que conhece a sua origem, desde a semente lançada à terra até à prateleira do supermercado. São os cereais do futuro.

 

A Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais já está a dar frutos?

 

Há uma vontade política grande de concretizar as medidas previstas na Estratégia, a própria marca “Cereais do Alentejo” é resultado da união da produção e de certa forma é fruto da Estratégia. No âmbito das negociações da PAC pós-2020 esperamos que o Governo consiga dar ao setor dos cereais a prioridade que este merece. Temos de criar condições para transformar milhares de hectares de cereais de sequeiro em cereais de regadio, usando pouca água e de forma eficiente, mas para isso é necessário investir em pequenos Alquevas nas regiões cerealíferas.

 

O Clube Português dos Cereais de Qualidade é um projeto de fileira com 20 anos. Que conquistas alcançou e que caminho para o futuro?

 

O Clube Português dos Cereais de Qualidade alterou a forma de estar da fileira dos cereais, criou uma verdadeira força técnico-profissional, englobando no seu seio a produção organizada, a investigação (INIAV, IPBeja, ESA Elvas) e a indústria dos cereais. A Estratégia é fruto indireto do Clube, que tem vindo a dar um exemplo de organização da fileira de forma prática e leve. Sem estatutos, nem quotas, reunimos 2 vezes por ano e as assembleias são sempre muito participadas. A Lista de Variedades Recomendadas (variedades de trigo mole e trigo duro recomendadas pela indústria aos agricultores após testes de campo e em laboratório) e agora a marca “Cereais do Alentejo” também são fruto do Clube.

 

Apresentação da marca “Cereais do Alentejo”, Herdade da Torre do Frade, Santo Aleixo-Monforte, 31 de Maio 2019

 

Há um projeto para criar a IGP do “Pão Alentejano”, promovido pela associação Terras Dentro e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo. Faz sentido aliar a marca “Cereais do Alentejo” a esta futura IGP?

 

Não concebo uma IGP “Pão Alentejano” que use trigo da Ucrânia ou do Canadá no seu fabrico. A ser criada esta IGP deve ter no caderno de especificações a obrigatoriedade do uso de farinhas obtidas de cereais produzidos no Alentejo. Já transmiti, eu e a ANPOC, esta posição aos promotores desta IGP.

 

A Lusosem está desde a sua fundação empenhada no desenvolvimento da cultura dos cereais. Como vê o papel da Lusosem nesta fileira e em geral no setor agrícola?

 

A Lusosem tem uma visão corretíssima no que respeita à cerealicultura portuguesa, setor em que nunca deixou de acreditar. Ao contrário de outras empresas congéneres, sobretudo as multinacionais, a Lusosem sempre apostou em novas variedades de cereais para o mercado nacional e na multiplicação da semente, e envolve-se de forma louvável na criação de soluções para a agricultura nacional.

 


«A Lusosem sempre apostou em novas variedades de cereais para o mercado nacional e na multiplicação da semente, e envolve-se de forma louvável na criação de soluções para a agricultura nacional»


 

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