Um estudo apresentado pela ANIPLA, a 19 de Maio, na sede da CAP, em Lisboa, avaliou o potencial impacto económico da retirada de 112 substâncias ativas (s.a.) que estão consideradas em risco de exclusão a nível da UE e que são usadas na proteção contra pragas, doenças e infestantes em cinco culturas chave em Portugal.
O estudo analisou as fileiras da vinha, olival, milho grão, pera Rocha e tomate indústria, que no seu conjunto representam cerca de 40% do rendimento da produção vegetal nacional (perto de 1,5 mil milhões de euros). O estudo conclui que tal retirada representaria uma perda de 810 milhões de euros no rendimento agrícola destas fileiras e de uma forma geral e inviabilizaria a exploração empresarial de qualquer das culturas em análise.
Paula Carvalho, sub-diretora geral de Alimentação e Veterinária, que esteve na apresentação, reconheceu que «os potenciais impactos que este estudo revela são apenas “a ponta do iceberg”. A eventual retirada deste conjunto de s.a. da UE terá um impacto na qualidade e disponibilidade dos produtos alimentares, que os consumidores não desejam, e pode pôr em causa as exportações portuguesas», afirmou a responsável.
O estudo recomenda uma participação ativa de todo o setor agrícola na revisão do Regulamento 1107 e um diálogo permanente com o poder político, visando a implementação de ações conjuntas em defesa dos interesses da agricultura portuguesa junto das instâncias comunitárias.
A ANIPLA contou com a colaboração de 27 entidades representativas das cinco fileiras analisadas para recolha de dados sobre o impacto económico da retirada das 112 s.a. em análise.
Luís Mira, secretário-geral da CAP, manifestou preocupação com as conclusões do estudo, e lamentou que «exista na União Europeia uma obsessão ideológica, sem bases científicas, que começa a causar graves problemas aos agricultores europeus».
Na fileira da pera Rocha o impacto é estimado em mais de 82,6 milhões de euros de prejuízo, afetando 12.000 explorações agrícolas