Exploração agrícola Torre do Frade é um legado familiar com um futuro sustentável
30 jul 2025

No coração do Alto Alentejo, no concelho de Monforte, ergue-se o Monte da Torre do Frade. Esta exploração agrícola, enraizada numa tradição familiar centenária, é um exemplo notável de gestão integrada e sustentável, onde a vinha, a pecuária, a floresta e os cereais coexistem de forma harmoniosa e estratégica.

Fernando Carpinteiro Albino, administrador da Torre do Frade, sublinha que “esta é uma exploração agrícola de índole 100% familiar, cuja ligação à terra é diretamente indissociável da sua origem enquanto família”. E é precisamente essa ligação que está na base das escolhas visionárias que têm vindo a ser feitas ao longo dos anos. Localizada numa zona tipicamente de sequeiro, sem acesso a grandes perímetros de rega públicos, a Torre do Frade investiu de forma antecipada e inteligente na construção de barragens próprias. 

“Se eu não tivesse feito aquelas barragens que nós temos por aí, feitas por nós há 20 e tal anos, muito provavelmente eu não estava aqui a falar”, afirma o administrador à nossa reportagem. A consciência das alterações climáticas é clara: “A experiência que nós temos das alterações climáticas são uma realidade.

Fernando Carpinteiro Albino, administrador da Torre do Frade

Fernando Carpinteiro Albino, administrador da Torre do Frade

Nós temos que nos habituar a isto”. Fernando Carpinteiro Albino conta-nos que a estratégia da exploração baseia-se em não colocar “todos os ovos no mesmo cesto”. Ao invés de depender de uma única cultura ou produção, a Torre do Frade distribui os riscos e maximiza os recursos através de uma gestão agrícola mista e multifuncional. “Se eu tivesse só aqui uma monocultura, eu se calhar havia-me aflito para ter ultrapassado estes anos todos”, explica.

Cereais com rega de precisão

Embora assente numa base de sequeiro, a Torre do Frade tem um sistema de regadio melhorado, com recurso a pivôs. Estes permitem regar nos momentos críticos para os cereais — abril, maio e início de junho — duplicando a produtividade. “É o suficiente para que as produções sejam o dobro das produções da mesma seara em regime de sequeiro puro e duro”, realça o administrador. 

A Torre do Frade é também sócia fundadora da Carnalentejana e mantém um efetivo de vacas alentejanas em linha pura, criadas em regime extensivo. “As nossas vacas não sabem o que é uma cabana, não sabem o que é um abrigo. O abrigo são as estrelas”, diz Fernando Carpinteiro Albino, com orgulho. A exploração é certificada pelo esquema Welfaire, uma das mais exigentes certificações de bem-estar animal.

Prota Plus – a mistura rica composta por trevos e azevém

Uma das peças-chave na alimentação dos bovinos é o uso de consociações forrageiras, como o Prota Plus, comercializado pela LUSOSEM. Trata-se de uma mistura rica, composta por três tipos de trevos e azevém. “Isto é de uma riqueza enorme para a alimentação dos animais, nomeadamente dos bovinos”, afirma. “Isto é um exemplo da biodiversidade. Esta é a verdadeira biodiversidade”, vinca. 

Segundo Fernando Carpinteiro Albino, o Prota Plus permite múltiplos aproveitamentos ao longo do ano: “Logo a partir de novembro, dezembro, nós podemos ter o efetivo bovino a pastorear. E ao mesmo tempo que se alimenta, também está a pôr matéria orgânica na terra”.  Com condições ideais de rega e clima, podem ocorrer até três cortes e também aproveitamento para feno. “Nós, cá em casa, fazemos feno para as vacas. Não fazemos outro tipo de alimentação, porque é isto que nós entendemos”, considera. 

A exploração não deixa de evoluir. Hoje, além dos trigos moles e duros e triticales, já se experimentam culturas como ervilhas verdes, feijão verde e colza para biodiesel. 

A exploração também valoriza a tradição e a sustentabilidade na viticultura.

A exploração dedica uma parte significativa da sua área à vinha, com cerca de 55 hectares, dos quais 20 hectares são de vinhas brancas e o restante de vinhas tintas. Para Fernando Carpinteiro Albino, o vinho produzido na Torre do Frade é conhecido pela sua qualidade, com uma gama diversificada que inclui “vinhos de entrada” como o Petit Virgo, além de vinhos mais sofisticados como o Virgo.  A exploração também valoriza a tradição e a sustentabilidade na viticultura, com práticas que respeitam as condições edafoclimáticas da região. “Temos aqui condições muito boas para fazer bons vinhos. Estamos na zona demarcada de Borba”, destaca.  A Torre do Frade continua a privilegiar a mão de obra local, especialmente durante a vindima, que é realizada manualmente. “Praticamente todos os nossos empregados são da aldeia, portanto isto gera fixação de populações no interior do país,” comenta Fernando Carpinteiro Albino. 

Além da vinha e da pecuária, a Torre do Frade também é composta por floresta, com destaque para as azinheiras, que são a espécie dominante no Alentejo. “A bolota faz parte da alimentação do nosso efetivo bovino”, e isso, segundo Fernando Carpinteiro Albino, marca a diferença na qualidade da carne, rica em ómega 3. Para além disso, a rama das azinheiras contribui para a alimentação nos meses mais críticos e o pastoreio ajuda a manter os terrenos limpos e resistentes ao fogo.

Miguel Minas, Monte Granja do Peral (Arronches)

Miguel Minas, Monte Granja do Peral (Arronches)

Testemunho Miguel Minas

“Somos basicamente bovinicultores de carne. 80% do que semeamos na nossa exploração, que tem cerca de 500 hectares, é para alimentação animal. O objetivo é garantir o nosso consumo próprio, e, nos anos de maior disponibilidade forrageira, como o fenocilagem ou o feno, podemos eventualmente vender alguma coisa. Mas a ideia principal é semear para alimentar os nossos animais. Optámos por utilizar a mistura Prota Plus porque é uma mistura equilibrada, principalmente pela presença dos trevos, que ajudam a compensar a exigência de azoto do azevém. Outra grande vantagem que esta mistura tem, na nossa opinião, é a quantidade de massa verde que nos proporciona. Em anos como o ano passado, já fizemos fenocilagem, e este ano vamos repetir a experiência. A ideia é sempre garantir que temos forragem suficiente para guardar e alimentar os animais”.

Gilberto Van Hal, Sócio-Gerente da Herdade das Caldeirinhas (Elvas)

Gilberto Van Hal, Sócio-Gerente da Herdade das Caldeirinhas (Elvas)

Testemunho de Gilberto Van Hal

”Na Herdade das Caldeirinhas, temos uma exploração de leite com cerca de 550 animais em produção e cultivamos aproximadamente 330 hectares. Destes, 190 hectares são irrigados com pivô central. A nossa produção inclui principalmente milho de verão, e durante o inverno, aproveitamos as áreas irrigadas para plantar azevém ou triticale. Optamos por cultivar azevém nas zonas mais próximas da exploração, e triticale nas áreas mais distantes, onde realizamos um corte único. O azevém, especialmente devido ao seu uso nas vacas em lactação, precisa de ser um alimento que tenha boa digestibilidade da fibra. É aqui que o Barspectra II torna-se essencial. Este produto tem sido um grande aliado, oferecendo-nos a flexibilidade necessária no momento do corte, mantendo uma excelente digestibilidade da fibra, ao mesmo tempo que assegura um teor elevado de proteína e açúcar”.

Filipe José, Delegado Técnico Comercial da LUSOSEM

Filipe José, Delegado Técnico Comercial da LUSOSEM

Testemunho de Filipe José

“Estamos na Herdade dos Lobatos, em Arronches, distrito de Portalegre, do produtor António Manuel Carvalho - num campo de Barspectra II, destinado à produção de silagem para alimentação de vacas de carne e novilhos em engorda. Esta exploração dedica-se exclusivamente à produção de carne. Já trabalhamos com este produtor há vários anos, oferecendo apoio técnico contínuo ao longo do ano. A variedade de Baspectra II tem sido a nossa escolha principal devido à sua facilidade de maneio. Temos algumas zonas onde, por vezes, ocorrem encharcamentos, e em anos mais secos, o Barspectra II tem demonstrado uma notável adaptação a diferentes condições climatéricas”.

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